89-92
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Eleição, Plano Collor
e impeachment

1989

Primeiras diretas
para presidente

No final de 1989, ocorrem as primeiras eleições diretas para presidente. Fernando Collor de Mello, que prometia a modernização do Brasil e uma “caça aos marajás” (cortando abusos na máquina pública), vence o petista
Luiz Inácio Lula da Silva.
Como o antecessor, Collor declara a inflação como inimiga e, já no dia seguinte à posse, lança um pacote econômico para, em suas palavras de judoca, derrubá-la com um “ippon”.

Zélia Cardoso de Mello foi ministra do Presidente Fernando Collor e implementou as mudanças econômicas do governo, entre 1990 e 1991.

1990

Plano Collor

Lançado em março de 1990, o Plano Collor pretendia dar fim à indexação da economia – a famosa correção monetária, que intensificava a subida de preços no país. Para isso, congela preços e salários e, mais uma vez, troca a moeda nacional para o cruzeiro. O maior impacto, no entanto, se dá com o confisco, por dezoito meses, de todo valor acima de CzN$ 50 mil que os cidadãos tivessem em banco. A indignação é geral e os prejuízos pessoais, enormes.
Paralelamente, inicia-se uma agenda de abertura da economia, com o aumento das importações. A inflação alta, no entanto, não cede e o poder aquisitivo dos salários continua reduzido. Hábitos como a corrida aos supermercados em dia de pagamento (o que garantia poder de compra até 25% maior do que ao final do mês) e a estocagem de alimentos mantêm-se necessários. É impossível fazer qualquer previsão de quanto se gastaria em uma compra, já que os preços podiam mudar ao longo do dia.
Pautados na experiência dos anos anteriores, todos ficam à espera de novos congelamentos. O mesmo ocorre com produtores e com o comércio, que aumentam seus preços preparando-se para possíveis intervenções do governo no mercado. Proteger-se da inflação e de decretos, aliás, é preocupação de todos os brasileiros. Os mais pobres, que não têm acesso aos recursos bancários como as aplicações financeiras em over night, com rendimentos e liquidez diários, são os mais prejudicados.

1991

Plano Collor II

Menos de um ano após o primeiro pacote e com a inflação em descontrole, é lançado o Plano Collor II. Com ele, há novo congelamento de preços e maior abertura à entrada de produtos estrangeiros no mercado – o que tampouco surte efeito contra as altas de preços. A decepção popular é total e, na sequência, chega também ao âmbito político.

1991

Formalização do Mercosul

Em março de 1991 é criado o Mercosul, o Mercado Comum do Sul. Proposto em conversas entre o presidente Sarney e o presidente Alfonsin, da Argentina, anos antes, a formalização do bloco econômico estreita as relações comerciais brasileiras com os países vizinhos. Esse passo figura entre as medidas liberalizantes na economia adotadas no período.

1992

Impeachment de Collor

Fernando Collor sofre denúncias de corrupção, deflagrando o movimento dos “caras pintadas”. As manifestações reúnem majoritariamente jovens e reivindicam a saída do primeiro presidente que haviam elegido livre e diretamente. Clamando por ética na política, os "caras pintadas" são o principal motor do processo de impeachment. Já fora da presidência, ele é julgado pelo Congresso e tem seus direitos políticos cassados por oito anos.

Foto colorida de pessoas com rosto pintado nas cores verde, amarelo e preto. Algumas erguem as mãos e batem palmas.
Manifestação de caras pintadas em Porto Alegre, pelo impeachment do presidente Collor, 1992.Carlos Rodrigues/Estadão Conteúdo
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